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MASCULINIDADE FRÁGIL















Há uma geração de homens aprendendo a existir entre aquilo que lhes foi ensinado e aquilo que realmente sentem.

Durante séculos, a masculinidade foi construída como uma fortaleza: silenciosa, rígida e impenetrável. O homem deveria suportar a dor sem reclamar, esconder as lágrimas, controlar os afetos e transformar vulnerabilidade em segredo. Mas toda fortaleza, por mais imponente que pareça, carrega fissuras.

É dentro dessas fissuras que nasce Masculinidade Frágil.

Neste editorial, os corpos não aparecem como símbolos de força, mas como territórios de sensibilidade. As rosas brancas atravessam as imagens como um gesto de delicadeza em contraste com a expectativa de dureza que ainda recai sobre o universo masculino. Não há heróis. Não há vencedores. Há homens olhando para si mesmos.

Os retratos escuros evocam a pintura clássica. As sombras escondem tanto quanto revelam. Os olhares não desafiam o espectador; procuram respostas dentro de si. Cada composição parece suspensa entre o desejo de pertencimento e a necessidade de libertação.

A presença constante dos espelhos reforça essa narrativa. O reflexo não mostra apenas uma imagem. Ele devolve perguntas. Quem somos quando ninguém está olhando? Quem nos tornamos quando deixamos de interpretar o papel que esperam de nós?

Em uma das imagens, a maquiagem borrada atravessa o rosto masculino como um manifesto silencioso. Em outra, o toque entre os corpos deixa de ser sinal de poder e passa a representar acolhimento. Em outra ainda, o homem surge cercado por figuras que parecem observar seus pensamentos mais íntimos, como fantasmas de expectativas sociais que insistem em determinar o que é ser homem.

Mas talvez a fotografia mais importante deste editorial não seja aquela que vemos.

Talvez seja aquela que cada leitor carrega dentro de si.

Porque a fragilidade não é o oposto da masculinidade.

A fragilidade é parte da condição humana.

E talvez exista mais coragem em admitir o medo do que em escondê-lo.

Talvez exista mais força em sentir do que em suportar.

Talvez exista mais beleza em ser imperfeito do que em parecer invencível.

Masculinidade Frágil não é sobre fraqueza.

É sobre liberdade.

A liberdade de existir sem armaduras.

A liberdade de ser sensível sem pedir desculpas.

A liberdade de compreender que a masculinidade não precisa ser uma prisão para continuar sendo masculina.

No fim, as rosas permanecem brancas.

Não como símbolo de pureza.

Mas como símbolo de humanidade.


PESSATO MAGAZINE
Porque toda revolução começa quando alguém encontra coragem para ser quem realmente é.

editorial inspirado na música

masculinidade - tiago iorc

Compositores

Lux Ferreira

Mateus Asato

Tiago Iorczeski

Tomas Troia

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